Desde março, as inspeções automóveis em Portugal passaram a seguir uma regra nova que está a surpreender muitos condutores. De acordo com informação recente do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), mais de 80 veículos por dia estão a ser reprovados por terem campanhas de "recall" ainda por cumprir.
Nos primeiros 40 dias após a aplicação destas regras, foram chumbados mais de 3 400 automóveis, um volume que corresponde a cerca de 8% das reprovações mensais registadas no país. A média apurada situa-se perto de 84 reprovações diárias, demonstrando o efeito imediato do reforço de fiscalização, segundo dados do IMT fornecidos ao "Jornal de Negócios".
A partir de 1 de março, qualquer viatura com um "recall" ativo por resolver passa a reprovar de forma automática na inspeção periódica obrigatória (IPO). Para apoiar os proprietários, a ACAP e o IMT disponibilizaram a plataforma gratuita "recall.motordata.pt", onde é possível verificar em tempo real se existe uma chamada à oficina por concretizar, bastando introduzir a matrícula ou o número VIN.
O que mudou nas inspeções automóveis desde 1 de março?
As inspeções periódicas obrigatórias passaram a incluir uma verificação adicional ligada às campanhas de "recall" lançadas pelos fabricantes. Na prática, antes de avançar para a inspeção técnica habitual, os centros confirmam se há intervenções de segurança pendentes. Quando existe uma ação de recolha por efetuar, o veículo pode ser reprovado, ficando o proprietário obrigado a realizar a reparação e só depois regressar para nova inspeção.
Porque estão tantos carros a chumbar nas inspeções?
Segundo o IMT, muitos condutores nem sequer sabem que o seu veículo tem "recalls" ativos por tratar. Como a nova regra determina reprovação automática nestes casos, os números aumentaram rapidamente. Nos primeiros 40 dias desde a entrada em vigor da medida, mais de 3 400 veículos acabaram reprovados.
O que é exatamente um "recall"?
Um "recall" corresponde a uma chamada do fabricante para corrigir, sem custos, um defeito detetado numa viatura. Estas campanhas podem estar associadas a questões de segurança, avarias mecânicas, problemas em componentes eletrónicos ou até irregularidades relacionadas com emissões poluentes. Em muitos cenários, a anomalia identificada pode representar um risco relevante para os ocupantes e para outros utilizadores da via, motivo pelo qual as marcas têm de assegurar a reparação gratuitamente.
O carro reprova automaticamente se tiver um "recall" pendente?
Sim. Com o enquadramento atual, sempre que exista uma campanha ativa de "recall" ainda por realizar, o veículo recebe uma anotação de "grau 2" ou "grau 3", consoante a gravidade do problema assinalado. Essa classificação conduz automaticamente à reprovação. O proprietário terá, então, de agendar a intervenção com a marca e voltar mais tarde ao centro de inspeção para uma reinspeção.
Qual é a diferença entre uma falha tipo 2 e tipo 3?
As falhas classificadas como tipo 2 são consideradas graves e exigem que o problema seja corrigido antes da reinspeção. Já as falhas tipo 3 são avaliadas como muito graves e podem mesmo impedir a circulação do veículo até que a situação fique resolvida. A distinção depende do nível de risco associado ao defeito identificado pelo fabricante.
Como posso saber se o meu carro está abrangido por um "recall"?
A verificação pode ser feita através do portal recall.motordata.pt, criado para este fim. O serviço permite consultar, em tempo real, se existem campanhas pendentes para um determinado veículo. Para obter a informação atualizada, basta inserir a matrícula ou o número de identificação do veículo, conhecido como VIN.
A utilização da plataforma é paga?
Não. A utilização é totalmente gratuita e está disponível para qualquer condutor. A intenção é tornar a informação mais acessível e aumentar o número de viaturas reparadas, reforçando a segurança rodoviária e reduzindo os riscos associados a defeitos de fabrico.
Quem criou esta nova plataforma de consulta?
O portal Recall foi desenvolvido pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) em parceria com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), com o apoio adicional da Direção-Geral do Consumidor. A ferramenta ficou operacional em dezembro do ano passado.
Porque é que muitos condutores desconhecem que têm um "recall" pendente?
Um dos entraves principais é a dificuldade em chegar aos atuais proprietários, sobretudo quando se trata de veículos usados. Em muitos casos, as moradas e os contactos associados ao automóvel não estão atualizados, o que faz com que cartas, emails ou chamadas das marcas não cheguem ao destinatário. De acordo com informação divulgada pelo setor automóvel, mais de 20% das cartas registadas enviadas no âmbito destas campanhas acabam por não ser entregues ao proprietário.
As reparações realizadas ao abrigo de "recalls" têm custos?
Não. Qualquer intervenção realizada no âmbito de campanhas de "recall" é gratuita, independentemente da idade do veículo ou de já não estar coberto pela garantia. Os custos das reparações são integralmente suportados pelos fabricantes.
Que tipos de problemas podem originar um "recall"?
As campanhas podem resultar de falhas nos travões, airbags defeituosos, anomalias elétricas, risco de incêndio, problemas em cintos de segurança, direção, pneus ou sistemas eletrónicos. Existem ainda "recalls" associados a emissões poluentes ou a inconformidades em componentes fornecidos por terceiros. Nos casos mais graves, estas falhas podem causar acidentes ou colocar vidas em perigo.
Quantos veículos poderão circular em Portugal com "recalls" pendentes?
Segundo dados divulgados pelo IMT e pela ACAP, existirão atualmente cerca de 87 mil veículos a circular em Portugal com campanhas de "recall" ainda por realizar. As autoridades consideram que a nova regra aplicada nas inspeções poderá fazer aumentar de forma significativa o número de reparações concluídas.
O que recomendam as autoridades aos condutores?
A orientação é direta: consultar com regularidade a plataforma Recall, especialmente antes da inspeção periódica obrigatória. Assim, os proprietários podem tratar antecipadamente qualquer pendência, evitando reprovações e reinspeções, e garantindo que o veículo circula em condições de segurança.
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