Saltar para o conteúdo

Bentley Continental GTC Speed: o descapotável mais luxuoso e potente

Carro desportivo descapotável verde Bentley GTC Speed estacionado em showroom moderno.

O Bentley Continental GTC Speed é a proposta de Crewe para o descapotável mais exclusivo e mais forte do mundo.


O Bentley Continental GT Speed passa a ser, nesta nova geração, o modelo de produção em série mais potente alguma vez lançado pelo histórico construtor de Crewe. A Bentley fez questão de manter a silhueta clássica, sobretudo nos ombros traseiros muito pronunciados e musculados, que ajudam a criar a imagem de “uma fera em repouso, mas pronta para atacar qualquer presa que lhe surja pela frente”.

A dianteira continua com uma postura mais vertical e elevada, mas há uma mudança de fundo sob o capot: o W12 sai de cena e dá lugar a um 4.0 V8 associado a um motor elétrico, pensado para compensar a perda de rendimento.

No capítulo do estilo, o desenho exterior ficou mais depurado e contemporâneo, e os faróis dianteiros passam a ter uma lente única. Pela primeira vez desde o Bentley S2 de 1959, abandona-se a assinatura de óticas duplas: cada farol integra agora uma “sobrancelha” com efeito de diamante lapidado. A tecnologia Matrix LED, com 120 pontos de luz geridos digitalmente, permite transições mais progressivas entre zonas de maior e menor iluminação.

Atrás, o para-choques ganha mais largura, as óticas passam a estar mais integradas na tampa da bagageira e as saídas de escape foram redesenhadas. A própria tampa passa, também, a incorporar um perfil aerodinâmico de spoiler fixo.

Conceito clássico no interior

No habitáculo, a base mantém-se deliberadamente clássica e as alterações são discretas. Ainda assim, a consola central está carregada de botões com acabamento em plástico preto que fica aquém do que se espera num automóvel de luxo; em contrapartida, têm a vantagem prática de não acumularem tantas impressões digitais como as superfícies em preto lacado.

Entre as novidades, surgem os revestimentos almofadados nas portas e nos bancos, inspirados na moda contemporânea. Em algumas versões, há ainda o acabamento Dark Chrome aplicado em puxadores, grelhas de altifalantes e outros detalhes, contribuindo para um ambiente mais atual.

A vertente audiófila também evoluiu: existem três sistemas de som à escolha, com potência máxima até 2200 watts. Um dos pontos fortes é a adoção de um para-brisas com vidro laminado, capaz de baixar em nove decibéis o ruído que entra no habitáculo - com a capota fechada, naturalmente.

O conhecido ecrã rotativo da Bentley continua a marcar presença e mantém três configurações: ecrã digital de 12,3” em alta definição, três mostradores analógicos ou um painel em folha de madeira nobre. Além disso, há melhorias na climatização e nas massagens dos bancos, bem como na conectividade, com ligação sem fios para dispositivos Apple e Android e carregamento por indução.

Tecnologia amplia conforto

Antes de arrancar, Richard Haycox - responsável pela dinâmica de chassis do Bentley Continental GTC Speed - salientou as evoluções mais relevantes. Embora a distância entre eixos não tenha mudado, “mantivemos a arquitetura da suspensão, mas com uma nova afinação, tendo em conta o aumento de peso em 197 kg. Além disso, conseguimos uma distribuição de peso quase equitativa (49-51%) entre os dois eixos, sobretudo devido ao posicionamento da bateria na traseira e a outras atualizações no chassis.”

Outra estreia passa pela “introdução de novos amortecedores de duas válvulas, desenvolvidos em parceria com a Porsche e estreados no novo Panamera, que usa a mesma plataforma. Não só permitem uma diferenciação mais clara entre os modos de condução Comfort e Sport, como melhoram significativamente o conforto de condução. A segunda válvula, que atua na compressão, minimiza as oscilações da carroçaria ao absorver melhor as irregularidades do asfalto, sem comprometer a estabilidade.”

Haycox acrescentou ainda que “recursos como as barras estabilizadoras eletrónicas de 48 volts e o eixo traseiro direcional foram mantidos, fazendo agora parte do equipamento de série. Ainda assim, este último oferece agora uma resposta mais agressiva no modo Sport, mesmo mantendo um ângulo de rotação das rodas traseiras nos 4,1 graus.”

Já a suspensão pneumática passa a usar duas câmaras em vez de três. Em complemento dos novos amortecedores, dispensa ajustes de rigidez nas molas e ajuda a cortar peso e custos.

O W12 morreu, viva o V8!

Desde abril, os motores W12 ficaram limitados ao Museu Bentley. O substituto é o V8 de 4,0 l, redesenhado e sem sistema de desativação ativa de cilindros - porque, num híbrido plug-in, o sistema pode desligar o motor de combustão por completo. No GT Speed, a potência máxima combinada chega aos 782 cv e o binário sobe aos 1000 Nm, fazendo dele o Bentley de produção mais potente de sempre.

A pressão de injeção de combustível passou de 200 para 350 bar, com ganhos na eficiência da combustão. Em comparação com o anterior W12 de 6,0 l, apenas a velocidade máxima de 335 km/h se mantém semelhante (285 km/h no GTC).

No restante, a resposta é ainda mais impressionante: cumpre 0–100 km/h em 3,2s (3,4s no GTC) e entrega mais binário em baixa rotação, com 800 Nm logo às 1000 rpm e um máximo de 1000 Nm disponível entre as 2000 e as 5000 rpm - face aos 900 Nm entre as 4000 e as 5000 rpm do antecessor. Esta combinação de eficiência e desempenho dá uma nova leitura ao legado da Bentley.

Entre 1 e 10 litros aos 100 km

Para lá das prestações, o Bentley Continental GT Speed destaca-se também pelo consumo médio anunciado de 1,7 l/100 km, mais um máximo histórico para a marca de Crewe. Em paralelo, a autonomia em modo totalmente elétrico é de 78 km, com emissões de CO2 fixadas em 31 g/km num percurso misto e com o sistema híbrido em modo Auto.

No trajeto de 81 km que realizei com o GTC Speed (esgotando toda a carga da bateria), os valores reais ficaram nos 26,9 kWh/100 km e nos 10,9 l/100 km, explicados por um andamento mais “vivo” do que aquele que a maioria dos condutores fará no dia a dia.

A bateria de iões de lítio, instalada atrás do eixo traseiro, contribui para a distribuição de massas já referida e apresenta 25,9 kWh de capacidade (24,6 kWh utilizáveis). Para carregar até 100%, são necessárias 2h45m em corrente alternada (AC), a 11 kW.

Quanto aos modos do sistema híbrido, existem o elétrico puro, o automático com travagem regenerativa e o “Charge”, em que o V8 serve tanto para propulsionar como para gerar energia. Assim evita-se a tomada, mas com penalização clara na eficiência.

O binário segue para as quatro rodas através da transmissão automática de dupla embraiagem e oito velocidades. A isto juntam-se um diferencial autoblocante traseiro eletrónico e um diferencial central, responsável pela gestão da repartição de binário entre eixos.

Dupla sessão confirma credenciais

Ao volante do novo Bentley Continental GTC Speed, a avaliação decorreu em dois contextos bem diferentes: as estradas sinuosas dos Alpes Suíços e o autódromo de Castellolí, onde, há cerca de três meses, pude conduzir uma unidade pré-série ainda camuflada.

O GTC Speed pode ser configurado com capota de lona de sete camadas, disponível em sete cores. Abre e fecha até 48 km/h e, segundo a Bentley, demora apenas 19s. Com a capota levantada, o isolamento térmico e acústico é muito competente.

No início de outubro, o ar frio em altitude já se fazia sentir para quem vem do Sul da Europa. Para circular de capota aberta, foi necessário recorrer ao aquecimento dos bancos e à ventilação de ar quente nos encostos de cabeça.

Assim, ficaram garantidas condições para uma experiência mais exposta aos elementos e, sobretudo, para apreciar sem filtros o som cheio do V8. Os graves que chegam ao habitáculo não deixam saudades do W12, principalmente em modo Sport - mesmo que os rateres pertençam agora ao passado.

Pelas montanhas, de «pantufas»

No extremo oposto, em modo 100% elétrico, o Bentley Continental GTC Speed avança de «pantufas», sem ruído e até aos 140 km/h. Pelo menos, desde que o acelerador não seja pressionado em excesso e que o V8 não seja chamado a intervir.

Além deste, existem os modos B(entley) - que funciona como um «normal» -, Comfort e Custom, sendo que o último permite configurar, um a um, os parâmetros que influenciam a resposta dinâmica. O botão E-mode, na consola central, serve para alternar entre o modo totalmente elétrico, o Charge e o Hold, que preserva a carga da bateria.

Nas estradas de montanha suíças, muito bem asfaltadas e com piso bastante uniforme, a suspensão não foi verdadeiramente posta à prova. Mesmo assim, foi evidente que o maior salto face ao antecessor está no conforto de rolamento - mesmo com jantes de 22” e pneus 275/35 à frente e 315/30 atrás.

Por sua vez, a direção mostra-se rigorosa, a caixa responde de forma suave e os travões de discos cerâmicos (opcionais) estiveram à altura, com boa resistência à fadiga e elevada potência de travagem, mesmo com 2,6 toneladas a velocidades mais elevadas.

Já disponível para encomenda

A nova geração do Bentley Continental já pode ser encomendada em Portugal, quer em coupé (GT) quer no descapotável (GTC), mas sempre com a designação Speed.

Nos preços, o GT com tejadilho começa um pouco acima dos 300 mil euros. No caso do Bentley Continental GTC Speed, o valor de referência é de 3380320 euros.

Depois chega a fase de que os clientes Bentley mais gostam - e cada vez mais: a personalização. Para isso, os artesãos de Crewe e da Mulliner estão preparados para tentar concretizar praticamente qualquer desejo. Mediante pagamento, claro…

Veredito

Especificações técnicas

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário